AI DE MIM!
Ai de mim que ousou enxergar além do horizonte.
Ai de mim que ousou enxergar além do verde.
No horizonte e no verde
Densas são as nuvens.
Ai de mim!
Ao enxergar o que não se enxerga
Ao acreditar no amanhã
sem amanhã.
Ao suspirar por um mundo melhor
Sem ter este mundo melhor.
Ai de mim que ousou enxergar as ondas cambiantes da incerteza.
Ao perceber o injusto no justo
Ao sentir a saga dos justos na injustiça
Ao saber das crateras que afundam o nosso existir
Perceber o inominável na simples intervenção natural.
Ai de mim!
Que me eclipsei
Pra me soldar
E me esvair em humanidade
Em sentimento de vida!
Ser um soldado a favor da vida
E nessa solidez
Percebo a insensatez
A pulverização do nosso existir
Ai de mim!
Sou um ser cambiante
Avesso as intempéries
Avesso a inverdade.
Por ter essa genuinidade
Essa desfaçatez que me envolve
Sou um obstinado na certeza da vida.
Ai de mim!



